O meu nome é João Tavares e sou estudante do 4º ano do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade do Algarve. Integrado no Plano Curricular deste último ano está um estágio designado por Elective, onde somos encorajados a sair de Portugal e idealmente da Europa, de modo a experimentar realidades diferentes da nossa.
Por isso, a partir de dia 5 de Janeiro e durante aproximadamente 7 semanas, vou realizar um estágio no Hospital de Gizo, Hospital de Referência da Província Oeste, nas Ilhas Salomão, país onde a população é extremamente pobre e onde os recursos humanos e materiais são muito escassos.

Vai certamente ser uma experiência marcante tanto a nível pessoal, como profissional e que espero me venha a fazer crescer não apenas como médico, mas sobretudo como Ser Humano.

Durante as próximas semanas, vou tentar manter-vos atualizados sobre as principais ocorrências desta "aventura"!

My name is João Tavares and I'm going from Portugal all the way to Gizo, Solomon Islands to spend 7 weeks in a Medical Elective. It will surely be one of the craziest experiences of my life!

Surely is going to an amazing experience both personaly and professional and one which I hope that will help me become a better doctor, and specially a better Human Being.

During the duration of the Elective I will try and keep you updated on the main events of this adventure
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Há Vida fora do Hospital: Parte 1



 

 

AVISO 

 

Este post contém imagens que podem ferir a suscetibilidade dos mais invejosos e no geral, gerar uma certa dor de cotovelo…






Alguém é servido? Eheheheh :)


Bem, aqueles que pensam que a minha vida tem sido só trabalho estão absolutamente certos, pois realmente o hospital tem ocupado bastante do meu tempo. Mesmo assim, tem sido possível aproveitar algumas das coisas que as ilhas do pacífico têm para oferecer.



A verdade é que em Gizo não há muito para fazer… enganam-se, tal como eu me enganei, aqueles que achavam que todos os dias depois de sair do hospital era possível ir dar um mergulhinho nas águas quentes do pacífico ou relaxar numa qualquer praia paradisíaca e com um areal a perder de vista. Para se conseguir ter acesso a praias paradisíacas e com águas cristalinas é preciso escolher uma de duas opções.

A primeira opção é apanhar um dos vários camiões de caixa aberta que fazem diariamente (com exceção dos domingos) a viagem até ao outro lado de Ghizo (uma espécie de autocarro da carreira), mais concretamente até Peilogue, um recanto “secreto”, muito apreciado pelos surfistas. 


A viagem leva cerca de 1 hora e é feita a um ritmo lento, pois toda a estrada é em terra batida, cheias de buracos e com múltiplas paragens para apanhar ou deixar passageiros. Pelo caminho passamos por várias pequenas vilas, algumas delas com apenas duas ou três casas que, tal como em Pienuna (vila onde se localiza a clínica do post anterior que, by the way, se situação na Ilha de Rannonga) são em geral feitas de madeira. 

A estrada serpenteia por entre pequenos vales e colinas e às vezes no meio de floresta cerrada sendo, ao contrário de Gizo, frequente verem-se papagaios de várias cores e tamanhos, em bandos ou pequenos grupos a voarem entre as copas das árvores. Num instante estão lá e no instante seguinte já desapareceram. 

Também ao contrário de Gizo, é comum ver-se crianças a correr no meio da rua, todas despidas e completamente indiferentes ao facto de estarem a ser vistas por várias pessoas. O que certamente não passa indiferente é a presença de pessoas de fora que, naturalmente, se destacam pela sua tez mais pálida e que são alvo de risota e acenos, por parte dos mais jovens.


Na chegada a Peilogue somos muito bem recebidos pelo Ben, um local que está a montar um EcoResort, onde em geral ficam os surfistas que conhecem o “segredo”, e que nos acolhe e proporciona um dia muito bem passado. No dia de hoje, estávamos 3 estudantes de elective, eu, o Joel (Nova Zelândia) e a Beth (UK) e ainda três “cotas” surfistas que estavam em Peilogue há cerca de 1 semana a surfar e a relaxar. 

O objetivo do dia passava por ir de barco até à Danny Island (que foi deixada pelo anterior dono ao Danny Kennedy, dono da Dive Gizo) onde iriamos fazer snorkeling, almoçar, relaxar e até aventurar-nos nas artes pesqueiras locais. Assim sendo, Nós os 6, o Ben, um guia e mais dois ajudantes metemo-nos num barco com um motor de apenas 15 cavalos, rumo ao nosso destino. No caminho tivemos oportunidade de, por mais de uma vez, avistar grupos de golfinhos que infelizmente não se aproximaram o suficiente do barco para permitir qualquer tipo de interação.

Após cerca de uma hora de viagem chegamos ao nosso destino, cheios de calor e prontos para dar um mergulho nas nada refrescantes águas quentes do pacífico (onde as temperaturas rondam os 28ºC). Por isso, assim que recebemos as instruções do guia sobre o melhor percurso para o snorkeling, foi só fazer-nos ao mar e aproveitar aquele que é provavelmente um dos melhores lugares do mundo para esta prática. 

Digam lá parece ou não uma imagem de um postal?! ;)

A visão é pura e simplesmente indescritível! Peixes de todas as cores, tamanhos e feitios, estrelas-do-mar azul vivo, tubarões do recife, enfim, uma quantidade infindável de cor e vida. Por isso melhor do que palavras, ficam algumas das imagens... É sem dúvida uma experiência que vale a pena.


Passei certamente mais de duas horas dentro de água e teria passado certamente mais duas, mas a fome já apertava, pois o pequeno-almoço tomado por volta das 6h30 da manhã já ia quase no final do trajeto, tal como o donut comido ainda antes da partida rumo à Danny Island.

O almoço foi volante… umas “sandochas” de Chili Tayo, que é como quem diz atum picante, acompanhadas por um ananás de provocar picos astronómicos de hiperglicemia a qualquer diabético, bem como uma papaia de comer e chorar por mais. 


Depois vieram 5 minutos de relax, que nada mais é do que dar uma voltinha pela ilha e tirar uma fotos, antes de voltar novamente a pegar na máscara e barbatanas e iniciar outro percurso de snorkeling.


Nos entretantos ainda tentamos pescar alguma coisa, mas perante o sol abrasador e mais de 30 graus, rapidamente desistimos do esforço que certamente iria ser infrutífero e voltamos para a piscina de água aquecida.

Tal como esta criança... eheheh
 
Foi sem dúvida um dia muito bem passado e também muito cansativo, de tal forma que a viagem de regresso foi feita praticamente em silêncio com cada um a dormitar para seu lado. 

À chegada a Peilogue, depois de várias horas dentro de água salgada, foi extremamente revitalizante tomar um duche com água vinda diretamente de uma nascente situada no interior da ilha que, graças à construção de um sistema de bombeamento abastece as várias vilas localizadas nesta zona da ilha e que, ao contrário da água da chuva que utilizamos em Gizo, é perfeitamente segura de se beber.

Como tínhamos levado um enorme peixe, tínhamos à nossa espera um repasto que continha um caril à moda das ilhas Salomão e uns bocados de peixe frito, ambos feitos com o peixe trazido por nós, acompanhados de arroz branco e batata-doce frita. Até eu, que inicialmente não tinha fome, não consegui resistir ao chamamento e acabei também a deliciar-me com esta magnífica refeição.


Depois das despedidas dos nossos companheiros de aventura, do Ben e ajudantes, foi hora de voltar novamente a saltar para a parte de trás do camião e fazer o caminho de regresso, cansados e muito satisfeitos por um dia magnífico.



Beijinhos e abraços a todos *




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