Bem, já lá vão 3 semanas desde que comecei o meu Elective no
Hospital de Gizo. Neste momento já sou capaz de falar da experiência que está a
ser a prática de medicina no outro lado do mundo…
As diferenças são muitas, em alguns casos até abismais.
Semelhanças?! Há de facto algumas que certamente se aperceberam no decorrer
deste post.
O hospital é essencialmente dividido em 4 valências –
Outpatient Department (OPD), uma espécie de clínica de cuidados de saúde
primários; Emergency Department (ED), o equivalente a qualquer urgência
hospitalar; Children, Female, Maternity e Male Wards, ou seja, as unidades com
os doentes internados; e finalmente o Operating Theather que, como o próprio
nome indica, é o Bloco Operatório.
Em termos de atividades hospitalares, o horário semanal é
sempre muito semelhante. O ED está aberto 24 horas por dia, 7 dias por semana e tem
sempre pelo menos um enfermeiro 24 sobre 24 horas. Fora de horas existe uma
escala com o médico que está de urgência e o respetivo contacto para que, em
caso de necessidade, este seja contactado e se desloque até ao hospital. É no
ED que são observados todos os doentes com queixas agudas, quer venham por
iniciativa própria, quer venham encaminhados das múltiplas clínicas dispersas
por toda a província Oeste.
De um modo geral os doentes são vistos primeiro por
um enfermeiro que regista de forma breve as queixas do doente e avalia os
sinais vitais, preenchendo posteriormente a ficha de admissão do doente no ED.
Posteriormente essa mesma ficha, juntamente com o “logbook” dos registos
médicos do doente são colocados em cima do balcão, para que sejam avaliados por
um dos médicos/estudantes presentes que darão seguimento ao caso, realizando a
história clínica seguida do exame físico, definindo posteriormente as hipóteses
de diagnóstico diferencial e finalmente traçando um plano de acção, que pode
incluir a realização de uma vasta gama de exames complementares de diagnóstico…
ups! Risquem esta última parte da vasta gama de exames complementares de
diagnóstico, pois apenas estão à disposição análises sanguíneas básicas,
nomeadamente hemograma completo e VS, na maior parte das vezes ionograma e
pouco mais.
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| Este é a ficha clínica do doente e o "logbook" |
Coisas tão simples como função hepática ou tiroideia têm que ser
enviadas para a capital, Honiara, e os resultados levam cerca de um mês. Outras
investigações possíveis incluem Rx, ECG e ecografia de partes moles, abdominal
e pélvica. Finalmente depois de obter todos os dados possíveis é definida a
hipótese de diagnóstico mais provável (com maior ou menor grau de certeza) é
iniciado o tratamento. O tempo médio de admissão é muito variável, podendo ser
de apenas algumas horas até vários dias, dependendo do caso. Em última
instância, os doentes podem ser enviados para o Hospital Central em Honiara, a
fim de receberem cuidados mais diferenciados do que aqueles que é possível
prestar aqui em Gizo.
Às segundas, quartas e Sextas-feiras é geralmente dia de
OPD, o que significa que pessoas dos quatro cantos de Ghizo (a Ilha, já que a
cidade é Gizo), ou mesmo de outras ilhas se deslocam ao hospital a fim de serem
observadas e nos casos necessários, tratadas. Tal como no ED, também os doentes
são primeiro triados por um dos enfermeiros presentes e aqueles que necessitam
são posteriormente encaminhados para observação por um médico.
Na maior parte dos dias, este trabalho é feito pelos estudantes de Elective no Hospital, ou seja, neste momento por mim e pelo Joel, um colega Nova Zelandês que também se encontra cá. Até à semana passada estava cá o Rob, um colega australiano que terminou o Elective e na Terça-feira e regressou à Austrália. Quando temos dúvidas e não conseguimos esclarecer um com o outro procuramos um dos médicos presentes no hospital de forma a definirmos em conjunto o plano de acção. Esta tarefa é mais ou menos difícil consoante o número de médicos presentes no hospital, que pode variar entre nenhum (sim, nenhum!!!) e todos (que são 4 ou 5). Ainda assim, as coisas funcionam bastante bem e são observados cerca de 20 doentes num dia de OPD.
Na maior parte dos dias, este trabalho é feito pelos estudantes de Elective no Hospital, ou seja, neste momento por mim e pelo Joel, um colega Nova Zelandês que também se encontra cá. Até à semana passada estava cá o Rob, um colega australiano que terminou o Elective e na Terça-feira e regressou à Austrália. Quando temos dúvidas e não conseguimos esclarecer um com o outro procuramos um dos médicos presentes no hospital de forma a definirmos em conjunto o plano de acção. Esta tarefa é mais ou menos difícil consoante o número de médicos presentes no hospital, que pode variar entre nenhum (sim, nenhum!!!) e todos (que são 4 ou 5). Ainda assim, as coisas funcionam bastante bem e são observados cerca de 20 doentes num dia de OPD.
Às terças e quintas-feiras, como não há OPD, é dia de Bloco
Operatório. Aqui, com excepção das Surgical
Tours, apenas são realizados alguns procedimentos simples, nomeadamente
drenagem de abcessos, desbridamento e limpeza de feridas, pequenas amputações,
curetagens e esterilizações femininas por via aberta. Qualquer que seja o
procedimento, a ajuda é sempre bem-vinda. A lavagem/desinfeção das mãos é feita
com recurso a um sabonete comum e a utilização esterilizadas é deixada para os
procedimentos com maior risco de infeção, geralmente as esterilizações. Tudo o
resto é feito utilizando apenas luvas esterilizadas, incluindo os
desbridamentos e limpezas de feridas e as amputações. A assepsia está
claramente overrated aqui em Gizo, eheheh ;)
Finalmente existem os internamentos. Não existe propriamente
um regra no que diz respeito às visitas aos internamentos e revisão dos doentes
e terapêutica, mas geralmente é feita sempre pelo mesmo médico ou médicos e a
frequência é variável e depende sobretudo do volume de trabalho nos outros
departamentos que já vos falei acima.
Quanto a mim, tento acompanhar sobretudo a visita à Children
Ward diariamente e todos os dias começo na maternidade a examinar os
recém-nascidos que nasceram na tarde e noite do dia anterior. Parece-me
sobretudo uma forma alegre de começar o dia já que, felizmente, até agora todos
têm nascido saudáveis e sem problemas major.
Depois, geralmente passamos sempre pelo ED, onde observamos e encaminhamos os doentes que estão à espera de serem vistos, quer seja através da realização de exames, quer propondo tratamento que, em caso de dúvidas, confirmamos sempre com algum dos médicos. A comunicação com os doentes nem sempre é fácil, mesmo já conseguindo dizer umas coisas em Pidgin, por isso a colaboração dos enfermeiros é fundamental, pois são estes que muitas vezes ajudam a traduzir a conversa. Finalmente, às segundas, quartas e sextas vou para a OPD, onde passo o resto do dia de trabalho e as terças e quintas vou para o bloco ajudar o médico que lá estiver. Felizmente ao longo destas semanas tenho conseguido fazer bastantes coisas, apesar de haver dias mais movimentados do que outros.
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| Deixo vos aqui esta foto do manual de tratamento para as crianças. ;) |
Depois, geralmente passamos sempre pelo ED, onde observamos e encaminhamos os doentes que estão à espera de serem vistos, quer seja através da realização de exames, quer propondo tratamento que, em caso de dúvidas, confirmamos sempre com algum dos médicos. A comunicação com os doentes nem sempre é fácil, mesmo já conseguindo dizer umas coisas em Pidgin, por isso a colaboração dos enfermeiros é fundamental, pois são estes que muitas vezes ajudam a traduzir a conversa. Finalmente, às segundas, quartas e sextas vou para a OPD, onde passo o resto do dia de trabalho e as terças e quintas vou para o bloco ajudar o médico que lá estiver. Felizmente ao longo destas semanas tenho conseguido fazer bastantes coisas, apesar de haver dias mais movimentados do que outros.
É verdade, apenas para vos aguçar o apetite… Semanalmente,
às quartas-feiras, existem visitas a algumas das muitas clínicas situadas na
província Oeste, geralmente situadas em vilas onde não existem tão pouco
eletricidade ou água canalizada e as casas situam-se no meio de floresta
cerrada. Estas visitas iniciaram-se há duas semanas e têm como principal
objetivo fazer o follow-up dos doentes crónicos, nomeada e principalmente
hipertensos e diabéticos. A viagem é feita de barco e é bastante dura, mas vale
bem a pena! Bem, mas já estou a falar de mais! Este tema ficará para um post
futuro.









