AVISO
Este post contém imagens que podem ferir a suscetibilidade dos mais invejosos e no geral, gerar uma certa dor de cotovelo…
| Alguém é servido? Eheheheh :) |
Bem, aqueles que pensam que a minha vida tem sido só
trabalho estão absolutamente certos, pois realmente o hospital tem ocupado
bastante do meu tempo. Mesmo assim, tem sido possível aproveitar algumas das
coisas que as ilhas do pacífico têm para oferecer.
A verdade é que em Gizo não há muito para fazer… enganam-se,
tal como eu me enganei, aqueles que achavam que todos os dias depois de sair do
hospital era possível ir dar um mergulhinho nas águas quentes do pacífico ou
relaxar numa qualquer praia paradisíaca e com um areal a perder de vista. Para
se conseguir ter acesso a praias paradisíacas e com águas cristalinas é preciso
escolher uma de duas opções.
A primeira opção é apanhar um dos vários camiões de caixa
aberta que fazem diariamente (com exceção dos domingos) a viagem até ao outro
lado de Ghizo (uma espécie de autocarro da carreira), mais concretamente até
Peilogue, um recanto “secreto”, muito apreciado pelos surfistas.
A viagem leva
cerca de 1 hora e é feita a um ritmo lento, pois toda a estrada é em terra
batida, cheias de buracos e com múltiplas paragens para apanhar ou deixar passageiros.
Pelo caminho passamos por várias pequenas vilas, algumas delas com apenas duas
ou três casas que, tal como em Pienuna (vila onde se localiza a clínica do post
anterior que, by the way, se situação
na Ilha de Rannonga) são em geral feitas de madeira.
A estrada serpenteia por
entre pequenos vales e colinas e às vezes no meio de floresta cerrada sendo, ao
contrário de Gizo, frequente verem-se papagaios de várias cores e tamanhos, em
bandos ou pequenos grupos a voarem entre as copas das árvores. Num instante
estão lá e no instante seguinte já desapareceram.
Também ao contrário de Gizo,
é comum ver-se crianças a correr no meio da rua, todas despidas e completamente
indiferentes ao facto de estarem a ser vistas por várias pessoas. O que
certamente não passa indiferente é a presença de pessoas de fora que,
naturalmente, se destacam pela sua tez mais pálida e que são alvo de risota e
acenos, por parte dos mais jovens.
Na chegada a Peilogue somos muito bem recebidos pelo Ben, um
local que está a montar um EcoResort, onde em geral ficam os surfistas que
conhecem o “segredo”, e que nos acolhe e proporciona um dia muito bem passado.
No dia de hoje, estávamos 3 estudantes de elective, eu, o Joel (Nova Zelândia)
e a Beth (UK) e ainda três “cotas” surfistas que estavam em Peilogue há cerca
de 1 semana a surfar e a relaxar.
O objetivo do dia passava por ir de barco até
à Danny Island (que foi deixada pelo anterior dono ao Danny Kennedy, dono da
Dive Gizo) onde iriamos fazer snorkeling, almoçar, relaxar e até aventurar-nos
nas artes pesqueiras locais. Assim sendo, Nós os 6, o Ben, um guia e mais dois
ajudantes metemo-nos num barco com um motor de apenas 15 cavalos, rumo ao nosso
destino. No caminho tivemos oportunidade de, por mais de uma vez, avistar grupos
de golfinhos que infelizmente não se aproximaram o suficiente do barco para
permitir qualquer tipo de interação.
Após cerca de uma hora de viagem chegamos ao nosso destino,
cheios de calor e prontos para dar um mergulho nas nada refrescantes águas
quentes do pacífico (onde as temperaturas rondam os 28ºC). Por isso, assim que
recebemos as instruções do guia sobre o melhor percurso para o snorkeling, foi
só fazer-nos ao mar e aproveitar aquele que é provavelmente um dos melhores
lugares do mundo para esta prática.
| Digam lá parece ou não uma imagem de um postal?! ;) |
A visão é pura e simplesmente
indescritível! Peixes de todas as cores, tamanhos e feitios, estrelas-do-mar
azul vivo, tubarões do recife, enfim, uma quantidade infindável de cor e vida.
Por isso melhor do que palavras, ficam algumas das imagens... É sem dúvida uma
experiência que vale a pena.
Passei certamente mais de duas horas dentro de água e teria
passado certamente mais duas, mas a fome já apertava, pois o pequeno-almoço
tomado por volta das 6h30 da manhã já ia quase no final do trajeto, tal como o
donut comido ainda antes da partida rumo à Danny Island.
O almoço foi volante… umas “sandochas” de Chili Tayo, que é
como quem diz atum picante, acompanhadas por um ananás de provocar picos
astronómicos de hiperglicemia a qualquer diabético, bem como uma papaia de
comer e chorar por mais.
Depois vieram 5 minutos de relax, que nada mais é do
que dar uma voltinha pela ilha e tirar uma fotos, antes de voltar novamente a
pegar na máscara e barbatanas e iniciar outro percurso de snorkeling.
Nos entretantos ainda tentamos pescar alguma coisa, mas
perante o sol abrasador e mais de 30 graus, rapidamente desistimos do esforço
que certamente iria ser infrutífero e voltamos para a piscina de água aquecida.
| Tal como esta criança... eheheh |
Foi sem dúvida um dia muito bem passado e também muito
cansativo, de tal forma que a viagem de regresso foi feita praticamente em
silêncio com cada um a dormitar para seu lado.
À chegada a Peilogue, depois de
várias horas dentro de água salgada, foi extremamente revitalizante tomar um
duche com água vinda diretamente de uma nascente situada no interior da ilha
que, graças à construção de um sistema de bombeamento abastece as várias vilas
localizadas nesta zona da ilha e que, ao contrário da água da chuva que
utilizamos em Gizo, é perfeitamente segura de se beber.
Como tínhamos levado um enorme peixe, tínhamos à nossa
espera um repasto que continha um caril à moda das ilhas Salomão e uns bocados
de peixe frito, ambos feitos com o peixe trazido por nós, acompanhados de arroz
branco e batata-doce frita. Até eu, que inicialmente não tinha fome, não
consegui resistir ao chamamento e acabei também a deliciar-me com esta
magnífica refeição.
Depois das despedidas dos nossos companheiros de aventura, do
Ben e ajudantes, foi hora de voltar novamente a saltar para a parte de trás do
camião e fazer o caminho de regresso, cansados e muito satisfeitos por um dia
magnífico.
Beijinhos e abraços a todos *