Depois de um início de viagem muito atribulado, com
problemas com a bagagem de porão, voos perdidos e escalas extra, e após 3 dias
de viagem, 6 países e aproximadamente 26 horas de voo estou finalmente em Gizo,
Ilhas Salomão, pronto para começar o Elective.
As diferenças são muitas, diria mesmo abismais. As Ilhas
Salomão são, de um modo geral, um país pobre e, daquilo que tenho visto até
agora, não se observa uma grande discrepância na distribuição da riqueza. A
população é de um modo geral humilde, simpática e muito prestável, principalmente
com aqueles que, tal como eu, estão fora do seu contexto natural. É muito comum
sermos cumprimentados na rua por pessoas que passam, principalmente quando se
tratam de grupos de crianças a brincar, que se mostram muito interessadas em
saber quem somos, de onde vimos e o que fazemos. O facto de ser um país com uma
grande paixão pelo futebol faz com que, invariavelmente se oiça o nome de
Cristiano Ronaldo e Eusébio após referir que venho de Portugal, sendo a nossa
seleção uma das preferidas da população local. Vamos certamente ter muitos
apoiantes por estas bandas durante o Mundial.
Tive a sorte de encontrar um português na chegada à Capital
das Ilhas Salomão. Estava na fila para o controlo de passaporte, quando de
repente começam a falar português comigo. O Carlos, que trabalha há cerca de 5
meses em Honiara como consultor financeiro, é oficialmente o primeiro português
nas ilhas Salomão e eu tornei-me o seu primeiro one talk. O one talk não
é mais do que uma pessoa da mesma família/tribo. A parte curiosa deste conceito
prende-se com a obrigação moral que qualquer Salomense tem para com os seus one talk, o que na prática se traduz
numa união em que aqueles que necessitam têm sempre ajuda, seja ela de que tipo
for.
Depois de vários dias em alguns dos aeroportos mais
movimentados e modernos do Mundo, foi sem dúvida interessante conhecer Honiara.
Apresenta apenas uma estrada alcatroada, a avenida que atravessa a cidade de
uma ponta à outra, sendo todas as transversais a partir dessa avenida principal
de terra batida e calhaus. O Carlos foi um verdeiro one talk, pois não só me deu guarida, como me mostrou um pouco mais
de Honiara. Acabamos a jantar fora onde bebemos umas Sol Brews e ouvimos música
local ao vivo, tocada pelo Owen e mais um amigo e com acompanhamento do Carlos com
a harmónica em alguma músicas. Foi sem dúvida uma experiência interessante.
No dia seguinte, tive a sorte de querer ir mais cedo para o
aeroporto, pois o voo para Gizo partiu mais cedo e de outra forma teria ficado
em terra. Depois de aproximadamente 1h de voo, aterramos no aeroporto de
Nusatupe, a 5 minutos de Gizo de barco. Este aeroporto foi construído durante a
2ª Guerra Mundial e até há cerca de 4 meses o piso continuava a ser de terra
batida. Outra particularidade deste aeroporto é que o próprio aeroporto é uma
ilha, ou seja, a ilha começa no inicio da pista e acaba no final da pista,
tendo apenas um pequeno edifício com cerca de 40 m2 onde é feito o check-in e
recolhida a bagagem.
Para aqueles menos crentes, ficam também as fotos para
comprovar que, apesar de não serem as melhores, dão para perceber a dimensão da
coisa.
Gizo…Bem, Gizo fica para outro dia, pois está na hora de
voltar ao trabalho que já acabou a hora de almoço!
Uma boa noite de descanso para todos ;)
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