O meu nome é João Tavares e sou estudante do 4º ano do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade do Algarve. Integrado no Plano Curricular deste último ano está um estágio designado por Elective, onde somos encorajados a sair de Portugal e idealmente da Europa, de modo a experimentar realidades diferentes da nossa.
Por isso, a partir de dia 5 de Janeiro e durante aproximadamente 7 semanas, vou realizar um estágio no Hospital de Gizo, Hospital de Referência da Província Oeste, nas Ilhas Salomão, país onde a população é extremamente pobre e onde os recursos humanos e materiais são muito escassos.

Vai certamente ser uma experiência marcante tanto a nível pessoal, como profissional e que espero me venha a fazer crescer não apenas como médico, mas sobretudo como Ser Humano.

Durante as próximas semanas, vou tentar manter-vos atualizados sobre as principais ocorrências desta "aventura"!

My name is João Tavares and I'm going from Portugal all the way to Gizo, Solomon Islands to spend 7 weeks in a Medical Elective. It will surely be one of the craziest experiences of my life!

Surely is going to an amazing experience both personaly and professional and one which I hope that will help me become a better doctor, and specially a better Human Being.

During the duration of the Elective I will try and keep you updated on the main events of this adventure
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sábado, 11 de janeiro de 2014

Finalmente… Gizo!



Depois de um início de viagem muito atribulado, com problemas com a bagagem de porão, voos perdidos e escalas extra, e após 3 dias de viagem, 6 países e aproximadamente 26 horas de voo estou finalmente em Gizo, Ilhas Salomão, pronto para começar o Elective. 

As diferenças são muitas, diria mesmo abismais. As Ilhas Salomão são, de um modo geral, um país pobre e, daquilo que tenho visto até agora, não se observa uma grande discrepância na distribuição da riqueza. A população é de um modo geral humilde, simpática e muito prestável, principalmente com aqueles que, tal como eu, estão fora do seu contexto natural. É muito comum sermos cumprimentados na rua por pessoas que passam, principalmente quando se tratam de grupos de crianças a brincar, que se mostram muito interessadas em saber quem somos, de onde vimos e o que fazemos. O facto de ser um país com uma grande paixão pelo futebol faz com que, invariavelmente se oiça o nome de Cristiano Ronaldo e Eusébio após referir que venho de Portugal, sendo a nossa seleção uma das preferidas da população local. Vamos certamente ter muitos apoiantes por estas bandas durante o Mundial.

Tive a sorte de encontrar um português na chegada à Capital das Ilhas Salomão. Estava na fila para o controlo de passaporte, quando de repente começam a falar português comigo. O Carlos, que trabalha há cerca de 5 meses em Honiara como consultor financeiro, é oficialmente o primeiro português nas ilhas Salomão e eu tornei-me o seu primeiro one talk. O one talk não é mais do que uma pessoa da mesma família/tribo. A parte curiosa deste conceito prende-se com a obrigação moral que qualquer Salomense tem para com os seus one talk, o que na prática se traduz numa união em que aqueles que necessitam têm sempre ajuda, seja ela de que tipo for.
A vista sobre Honiara (Capital das Ilhas Salomão)

Depois de vários dias em alguns dos aeroportos mais movimentados e modernos do Mundo, foi sem dúvida interessante conhecer Honiara. Apresenta apenas uma estrada alcatroada, a avenida que atravessa a cidade de uma ponta à outra, sendo todas as transversais a partir dessa avenida principal de terra batida e calhaus. O Carlos foi um verdeiro one talk, pois não só me deu guarida, como me mostrou um pouco mais de Honiara. Acabamos a jantar fora onde bebemos umas Sol Brews e ouvimos música local ao vivo, tocada pelo Owen e mais um amigo e com acompanhamento do Carlos com a harmónica em alguma músicas. Foi sem dúvida uma experiência interessante.

No dia seguinte, tive a sorte de querer ir mais cedo para o aeroporto, pois o voo para Gizo partiu mais cedo e de outra forma teria ficado em terra. Depois de aproximadamente 1h de voo, aterramos no aeroporto de Nusatupe, a 5 minutos de Gizo de barco. Este aeroporto foi construído durante a 2ª Guerra Mundial e até há cerca de 4 meses o piso continuava a ser de terra batida. Outra particularidade deste aeroporto é que o próprio aeroporto é uma ilha, ou seja, a ilha começa no inicio da pista e acaba no final da pista, tendo apenas um pequeno edifício com cerca de 40 m2 onde é feito o check-in e recolhida a bagagem.
Para aqueles menos crentes, ficam também as fotos para comprovar que, apesar de não serem as melhores, dão para perceber a dimensão da coisa.

Gizo…Bem, Gizo fica para outro dia, pois está na hora de voltar ao trabalho que já acabou a hora de almoço!

Uma boa noite de descanso para todos ;)

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